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NAPOLEÃO
Napoleão Bonaparte foi um dos mais influentes
indivíduos da história. Com sua determinação pessoal mudou o curso e o mapa da
Europa. Sua influência se estende até os dias atuais, como por exemplo o código
civil, as modificações o sistema educacional, criação de museus na Europa, e o
nascimento do nacionalismo moderno.
Filho de um aristocrata empobrecido, Carlo
Buonaparte e de uma jovem italiana Letizia, nasceu em 1769, na ilha da Córsega,
que pertencera à Inglaterra, à Italia, e um ano antes de seu nascimento fora
comprada pela França. Napoleão ingressou na escola militar em 1778, e desde cedo
percebeu a importância de aplicar sua aptidão para os números no cálculo das
distâncias que poderiam ser cobertas por soldados em campanha, na quantidade de
suprimentos e na leitura de mapas.
Aos 24 anos de idade, Napoleão conseguiu sua primeira missão importante: abafar uma rebelião de partidários do rei Luís XVI em Toulon. A partir de então foi elogiado por oficiais superiores e promovidos a general. Após a vitória na rebelião de Toulon e do sucesso na primeira Campanha Italiana, Napoleão obteve novas vitórias militares.
Ao retornar do Egito, além de desfrutar de prestígio militar, também ficou conhecido como incentivador cultural. Em 13 de dezembro de 1799 aconteceu o golpe de 18 de Brumário (data do calendário revolucionário) que dissolveu o Diretório e nomeou três cônsules: Emmanuel Sieyes, Roger Ducos e Napoleão Bounaparte.
Em 1802, Napoleão passou a ser Cônsul vitalício e dois anos depois, corou-se imperador e Josefina tornou-se imperatriz. Ele precisava de um filho que assegurasse a continuidade de sua obra. A falta de um herdeiro tornou-se assunto de Estado e Napoleão declarou a Josefina que pelos interesses da França, deveriam divorciar-se para que em um segundo casamento conseguisse um herdeiro.
Napoleão desposou Maria-Luísa, filha de Francisco I da Áustria, pertencente a uma das mais antigas dinastias da Europa. O casamento foi realizado em 1810, no ano seguinte nascia seu filho Napoleão II, o Rei de Roma.
Campanhas
No período após a Revolução Francesa, Napoleão destacou-se tanto militar quanto politicamente. E sua popularidade aumentou com as sucessivas vitórias sobre os estrangeiros. Com a Campanha da Itália (1796-1797), obteve importantes vantagens territoriais para a França e quebrou a Primeira Coalizão contra a França (Áustria e Prússia). Na Campanha seguinte, em Malta, Egito e Síria (1798-1801), procurou bloquear a rota comercial da Inglaterra para a Índia, mas foi detido pelo poder naval dos ingleses. Nesse período, enquanto estava distante, a Segunda Coalizão (Grã-Bretanha, Áustria, Rússia, Nápoles e Turquia) expulsou os franceses da Itália, levando Napoleão a retornar do Egito.
Em 1
802, Napoleão assinou a Paz de Amiens com a
Inglaterra e dois anos mais tarde, com o apoio popular, coroou-se Imperador
Napoleão I. No ano seguinte, combateu os russos e austríacos na batalha da qual
teria mais orgulho, a Batalha de Austerlitz, conhecida também como Batalha dos
Três Imperadores - Alexandre I da Rússia, Francisco I da Áustria e Napoleão I da
França.
A Rússia mantinha-se militarmente forte, embora houvesse sido derrotada por Napoleão em Austerlitz, 1805 em Eylau e em Friedland em 1807. O resultado disso foi o Tratado de Tilsit assinado por Alexandre I, que em troca da paz concordou em aderir ao Bloqueio Continental, imposto desde em 1806.
Em 1807, Napoleão exigiu adesão do único país que abria brechas ao Bloqueio, Portugal. Estava iniciada a Guerra Peninsular. O exército francês comandado pelo General Junot, aliado ao espanhol, invadiu Portugal enquanto a corte portuguesa partis para o Brasil. Mesmo aliado a Napoleão, o rei espanhol Carlos IV foi afastado do trono, assim como seu filho Fernando, sendo substituídos por José Bonaparte. Para expulsar os franceses de seu território, os espanhóis recorreram ao inimigo tradicional de Napoleão: a Grã-Bretanha. O grande número de perdas nas campanhas russas e na Guerra Peninsular acabou por reduzir a popularidade do imperador.
Alexandre I da Rússia recusou-se a continuar o Bloqueio Continental. Como resposta, Napoleão invadiu a Rússia em 1812 com um exército de cerca de quinhentos mil homens de todas as partes do império. Porém, não contava com a estratégia dos russos que abandonavam os locais por onde o grande exército napoleônico passaria, deixando-os sem vitória e sem abastecimento de alimentos. Ao chegarem a Moscou, encontraram a cidade abandonada e pela noite os próprios russos a queimaram para que nada sobrasse a Napoleão. Após longa espera, Bonaparte desistiu de aguardar a rendição do inimigo e quando retornavam para casa, o inverno russo chegou, devastando o seu exército.
Enquanto isso, os ingleses expulsavam os franceses da Península Ibérica e a Áustria aliada à Prússia preparava-se para atacar Napoleão. Praticamente toda a Europa integrou a Sexta Coalizão. A batalha decisiva ocorreu em Leipzig. Em 31 de março de 1814, os aliados entraram em Paris. Pouco depois, em 6 de abril de 1814, Napoleão abdicou ao trono. Foi oferecido a ele um reino na ilha de Elba, Napoleão aceitou e foi nomeado imperador e governante da ilha, localizada a 11 quilômetros da costa da Itália, com apenas 32 quilômetros de comprimento e 12 de largura. A falta de dinheiro foi o fator principal para que Napoleão pensasse em fugir.
O tratado assinado antes de ir para o exílio acertava que o governo francês pagaria dois milhões de francos por ano, porém nada lhe mandaram. Bonaparte temia que sem homens para protegê-lo poderia ser assassinado por algum dos seus vários inimigos. Bonaparte partiu de Elba em 26 de fevereiro de 1815 e em 20 de março entrou em Paris, no dia anterior os Bourbons haviam deixado a cidade. Napoleão era novamente imperador. Quando os soberanos da Europa souberam da volta de Napoleão, se uniram formando a Sétima Coalizão (Grã-Bretanha, Prússia, Áustria e Rússia) para impedir sua expansão. Ingleses e prussianos já estavam aquartelados na Bélgica aguardando a chegada de austríacos e russos. A única chance de vitória de Napoleão seria atacá-los antes da união dos exércitos, mas o atraso em ordenar o avanço e a destruição da Guarda Imperial Francesa determinaram sua derrota na Batalha de Waterloo.
Napoleão abdicou novamente ao trono e foi exilado na ilha de Santa Helena. Chegou à ilha em 17 de outubro de 1815 e lá permaneceu até a sua morte em 5 de maio de 1821.
Repercussões no Brasil
Napoleão impôs o Bloqueio Continental à Europa em
1806, proibindo todo o comércio entre o continente e a Grã-Bretanha. Portugal
temia a invasão dos franceses mas dependia dos produtos importados dos ingleses
e de sua proteção marítima. Em fins de 1807, com a pressão dos franceses, D.
João resolveu aderir ao Bloqueio. Simultaneamente, informou aos ingleses sobre
as exigências, mas garantia-lhes a ocupação da ilha da Madeira em troca da
escolta inglesa caso a Família Real partisse para o Brasil. A corte portuguesa
partiu para o Brasil tão logo teve a notícia que as tropas francesas
atravessavam suas fronteiras. Enquanto as demais colônias sul-americanas se
emancipavam, o Brasil tornava-se sede da monarquia da metrópole.
A Família Real chegou ao Brasil em 1808 e a primeira das medidas de D. João foi a de abrir os portos à nações amigas. Favoreceu os ingleses, cobrando taxas baixíssimas para a importação de seus produtos. Foram instaladas manufaturas e indústrias de vidro, pólvora e moagem de trigo na Bahia, além da indústria canavieira e do gado, o cultivo do algodão, tabaco e a exploração salineira. D. João criou o Banco do Brasil, a Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação.
Desenvolveu-se a vida cultural do Rio de Janeiro com a criação da Imprensa Régia, do Real Teatro e com a chegada da Missão Artística Francesa, em Salvador com a Escola Médico-Cirúrgica. O período de D. João foi marcado pela vinda de expedições científicas estrangeiras que registraram a fauna, a flora e o povo brasileiro na época.
A transferência da monarquia e corte portuguesas em
1808 significou a elevação do Brasil como centro político e administrativo do
reino português. Em 1815, D. João alterou a condição de sua colônia americana
elevando-a a categoria de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Contudo,
embora a elite brasileira tivesse obtido representação política na corte em
Lisboa, os portugueses desejavam o retorno do Brasil à condição de colônia.
Algum tempo após a queda de Napoleão, ocorreu a Revolução Liberal do Porto,
clamando por uma monarquia constitucional. Dentre a s solicitações dos
portugueses estavam o retorno do rei, que partiu em 1821. D. Pedro permaneceu no
Brasil como regente e quando os políticos portugueses exigiram sua volta,
anunciou que ficaria no Brasil e assumiu a liderança do movimento da
Independência.
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| Autoras: Simone R. Martins e Margaret H. Imbroisi | www.historiadaarte.com.br© |