MODERNISMO (BRASIL)
MODERNISMO BRASILEIRO (Primeira Fase 1922-1930)
SEMANA DE 22
Essa arte nova aparece inicialmente através da atividade crítica e literária de
Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Mário de Andrade e alguns outros artistas
que vão se conscientizando do tempo em que vivem. Oswald de Andrade, já em 1912,
começa a falar do Manifesto Futurista, de Marinetti, que propõe “o compromisso da
literatura com a nova civilização técnica”.
Mas, ao mesmo tempo, Oswald de Andrade alerta para a valorização das raízes nacionais,
que devem ser o ponto de partida para os artistas brasileiros. Assim, cria movimentos,
como o Pau-Brasil, escreve para os jornais expondo suas idéias renovadores de grupos
de artistas que começam a se unir em torno de uma nova proposta estética. Antes
dos anos 20, são feitas em São Paulo duas exposições de pintura que colocam a arte
moderna de um modo concreto para os brasileiros: a de Lasar Segall, em 1913, e a
de Anita Malfatti, em 1917.
A exposição de Anita Malfatti provocou uma grande polêmica com os adeptos da arte
acadêmica. Dessa polêmica, o artigo de Monteiro Lobato para o jornal O Estado de
S. Paulo, intitulado: “A propósito da Exposição Malfatti”, publicado na seção “Artes
e Artistas” da edição de 20 de dezembro de 1917, foi a reação mais contundente dos
espíritos conservadores.
No artigo publicado nesse jornal, Monteiro Lobato, preso a princípios estéticos
conservadores, afirma que “todas as artes são regidas por princípios imutáveis,
leis fundamentais que não dependem do tempo nem da latitude”. Mas Monteiro Lobato
vai mais longe ao criticar os novos movimentos artísticos. Assim, escreve que “quando
as sensações do mundo externo transformaram-se em impressões cerebrais, nós ‘sentimos’;
para que sintamos de maneira diversa, cúbica ou futurista, é forçoso ou que a harmonia
do universo sofra completa alteração, ou que o nosso cérebro esteja em ‘pane’ por
virtude de alguma grave lesão. Enquanto a percepção sensorial se fizer normalmente
no Iníciom, através da porta comum dos cinco sentidos, um artista diante de um gato
não poderá ‘sentir’ senão um gato, e é falsa a ‘interpretação que do bichano fizer
um totó, um escaravelho ou um amontoado de cubos transparentes”.
Em posição totalmente contrária à de Monteiro Lobato estaria, anos mais tarde, Mário
de Andrade. Suas idéias estéticas estão expostas basicamente no “Prefácio Interessantíssimo”
de sua obra Paulicéia Desvairada, publicada em 1922. Aí, Mário de Andrade afirma
que:
“Belo da arte: arbitrário convencional, transitório - questão de moda. Belo da natureza:
imutável, objetivo, natural - tem a eternidade que a natureza tiver. Arte não consegue
reproduzir natureza, nem este é seu fim. Todos os grandes artistas, ora conscientes
(Rafael das Madonas, Rodin de Balzac.Beethoven da Pastoral, Machado de Assis do
Braz Cubas) ora inconscientes ( a grande maioria) foram deformadores da natureza.
Donde infiro que o belo artístico será tanto mais artístico, tanto mais subjetivo
quanto mais se afastar do belo natural. Outros infiram o que quiserem. Pouco me
importa”. (Mário de Andrade, Poesias Completas)
Embora existia uma diferença de alguns anos entre a publicação desses dois textos,
eles colocam de uma forma clara as idéias em que se dividiram artistas e críticos
diante da arte. De um lado, os que tendiam que a arte fosse uma cópia fiel do real;
do outro, os que almejavam uma tal liberdade criadora para o artista, que ele não
se sentisse cerceado pelo limites da realidade.
Essa divisão entre os defensores de uma estética conservadora e os de uma renovadora,
prevaleceu por muito tempo e atingiu seu clímax na Semana de Arte Moderna realizada
nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. No
interior do teatro, foram apresentados concertos e conferências, enquanto no saguão
foram montadas exposições de artistas plásticos, como os arquitetos Antonio Moya
e George Prsyrembel, os escultores Vítor Brecheret e W. Haerberg e os desenhistas
e pintores Anita Malfatti, Di Cavalcanti, John Graz, Martins Ribeiro, Zina Aita,
João Fernando de Almeida Prado, Ignácio da Costa Ferreira, Vicente do Rego Monteiro
e Di Cavalcanti (o idealizador da Semana e autor do desenho que ilustra a capa do
catálogo).
Manifesto Antropofágico
Publicado na Revista Antropofagia (1928), propunha basicamente a devoração da cultura
e das técnicas importadas e sua reelaboração com autonomia, transformando o produto
importado em exportável. O nome do manifesto recuperava a crença indígena: os índios
antropófagos comiam o inimigo, supondo que assim estavam assimilando suas qualidades.
A idéia do manifesto surgiu quando Tarsila do Amaral, para presentear o então marido
Oswald de Andrade, deu-lhe como presente de aniversário a tela Abaporu (aba = Iníciom;
poru = que come).
Estes eventos da Semana de Arte Moderna foram o marco mais caracterizador da presença,
entre nós, de uma nova concepção do fazer e compreender a obra de arte.
ANITA MALFATTI
(1889-1964) – Filha de imigrantes de origem italiana e alemã, Anita Catarina Malfatti
nasceu em São Paulo, em dezembro de 1889, com um defeito congênito na mão direita.
Foi operada na Itália, aos 3 anos de idade, mas nunca se livrou da atrofia na mão
e no braço. Teve de aprender a escrever, e mais tarde a pintar, com a mão esquerda.
Anita viria a descobrir sua vocação em 1910, quando chega a Berlim. Permanece na
Alemanha até 1914. Aluna da Academia de Belas Artes de Berlim, também teve aulas
com pintores de renome, como Lovis Corinth. Depois de uma breve passagem pelo Brasil,
viaja, em 1915, para Nova York, onde matricula-se na Independence School of Art.
Volta ao País, destinada a causar polêmica. Em dezembro de 1917, Anita expõe, em
São Paulo, obras identificadas com a liberdade formal das vanguardas européias e
norte-americanas, como “A Boba”, “O Iníciom Amarelo”, “A Mulher de Cabelos Verdes”
e a “Estudante Russa”. A reação nos meios intelectuais, expressa no artigo de Monteiro
Lobato “Paranóia ou Mistificação”, é violenta. “Então começou o peso do ostracismo.
Todo meu trabalho ficou cortado, alunos, vendas de quadros – e começaram as brigas
nos jornais”, revelou a pintora. Anita participa da Semana de 22, mas ainda traumatizada
pela hostilidade ao seu trabalho, afasta-se, progressivamente, da vanguarda. Em
1923, Anita embarca para um período de cinco anos de estudos na França. Participa
de exposições coletivas de arte moderna nos anos 30 e 40 e da 1ª. Bienal de São
Paulo, em 1951. Na 7ª. Bienal, em 1963, é Inícionageada com uma grande retrospectiva.
Anita morre em 1964, em São Paulo. “Devo a ela e à força dos seus quadros a revelação
do novo e a convicção da revolta”, disse sobre a amiga, Mário de Andrade.
DI CAVALCANTI
(1897-1976)– “A cultura não se apega aos meus sentidos, sou sempre o vagabundo,
o Iníciom da madrugada, o amoroso de muitos amores”. Nascido Emiliano Augusto Cavalcanti
de Albuquerque e Mello, em setembro de 1897, no Rio, Di Cavalcanti registra como
ninguém o povo brasileiro. “É sempre o mais exato pintor das coisas nacionais”,
escreveu Mário de Andrade. “Não confundiu o Brasil com paisagens e em vez de Pão
de Açúcar nos dá sambas, em vez de coqueiros, mulatas, pretos e carnavais”. Em 1917,
muda-se para São Paulo e matricula-se no curso de direito do Largo São Francisco.
Empregado como revisor no jornal O Estado de S.Paulo, expõe suas caricaturas numa
livraria do centro da cidade. Em 1921, mergulha de vez na pintura, já associado
ao grupo modernista. No ano seguinte, conhece o escritor Paulo Prado. “Falamos naquela
noite, e em outros encontros, da Semana de Deauville e outras semanas da elegância
eurepéia. Eu sugeri Paulo Prado a nossa semana, que seria uma semana de escândalos
literários e artísticos, de meter os estribos na barriga burguesiazinha paulistana.”
Estava lançada a semente da Semana de Arte Moderna. Di faz a ponte entre as vanguardas
do Rio e de São Paulo e ilustra a capa dos catálogos. Mas já se distingue dos colegas
como Anita Malfatti, Brecheret e Lasar Segall, cujo modernismo, acredita, “tinha
o selo da convivência com Paris, Roma e Berlim”. “Meu modernismo coloria-se do anarquismo
cultural brasileiro e, se ainda claudicava, possuía o dom de nascer com os erros,
a inexperiência e o lirismo brasileiros”. Mesmo assim, Di busca um maior contato
com a arte moderna européia. Mora em Paris entre 1923 e 25. A cultura não apaga,
aguça seus sentidos. Na volta, redescobre o Brasil e sua gente, num encantamento
que matéria sempre renovado ao longo da vida. Em 1955, recebe o Primeiro Prêmio
de Pintura para artista nacional, na 3ª. Bienal de São Paulo. Dez anos depois, a
8ª. Bienal apresenta uma retrospectiva com 53 trabalhos. Produz muito na velhice,
Precisa pagar dívidas, mesmo às custas da qualidade do trabalho. Em 1971, o Museu
de Arte Moderna promove uma retrospectiva com 470 telas. Di morre no Rio, em 1976,
Glauber Rocha filme o velório, mas o material permanece virtualmente inédito, por
pressão da família do pintor.
VICTOR BRECHERET
(1894-1955) – Nascido em Viterbo, Itália, em 1894, Vittorio Brecheret muda-se ainda
criança para o Brasil Começa a estudar arte em 1912, no Liceu de Artes e Ofícios.
No ano seguinte, embarca para a Itália, onde torna-se discípulo do escultor Dazzi.
Realiza sua primeira exposição, no Salão dos Escultores Amadores, em 1918, ano no
qual retorna ao Brasil. Em 1920, apresenta num concurso público a maquete do “Monumento
às Bandeiras” e conhece Di Cavalcanti, Oswald e Menotti Del Picchia. Em 1921, a
Prefeitura adquire a escultura “Eva”, exposta na Casa Byington. Com uma bolsa do
Estado, parte rumo a Paris, deixando com os amigos as obras que serão apresentadas
no ano seguinte, na Semana de Arte Moderna. Participa, na França, do Salão de Outono.
Em 1923, descobre a arte de Brancusi, uma de suas influências. É premiado no Salão
de Outono com “Sepultamento”, feito sob encomenda para o jazigo da família Guedes
Penteado no Cemitério da Consolação.
Volta ao Brasil em 1925, mas continua expondo no exterior em mostras como o Salão
dos Independentes, em Paris, em 1929. Sua consagração viria quatro anos depois,
com a compra pelo governo francês da obra em granito “Grupo”, para o Musée du Jeu
de Paume, e a condecoração com a Legião de Honra. Em 1936, dá início ao “Monumento
às Bandeiras”, maior escultura do mundo, que só seria inaugurado em janeiro de 1953,
no Parque do Ibirapuera. O monumento, que inclui um auto-retrato e figuras inspiradas
em amigos de Brecheret, é considerado uma das suas obras-primas do século 20. Em
1941, vence o concurso público “Monumento a Caxias”, em São Paulo. Realiza, entre
1942 e 46, esculturas para a capela do Hospital das Clínicas. Em 1950, é convidado
para a Bienal de Veneza. No ano seguinte, recebe o Primeiro Prêmio de Escultura
na 1ª. Bienal de São Paulo. Ainda voltaria a Veneza e à Bienal paulistana antes
de morrer, em dezembro de 1955, em São Paulo.
MÁRIO ZANINI
(1907-1971) – Nascido em São Paulo, em 1907, Mário Zanini pertence à geração de
pintores de origem proletária que ajudou a consolidar o modernismo no Brasil, reunida
no Grupo Santa Helena, embrião da Família Artística Paulista. Começa a estudar pintura
na Escola Profissional Masculina o Brás, em 1920. De 1924 a 26, cursa desenho e
artes no Ateliê de Artes e Ofícios. Em 1927, conhece Alfredo Volpi, uma de suas
maiores influências, que, como ele, ganha a vida como pintor especializado em decoração
de interiores. Seus primeiros trabalhos trazem a marca do movimento macchiaiolli,
italiano. Ao contrário dos impressionistas, nos macchiaiolli o uso da mancha é posto
a serviço de uma estética mais próxima do realismo. Em 1934, participa de sua primeira
exposição, no Salão Paulista de Belas Artes. Nos Salões de Maio, em 1938 e 39, Zanini
arranca elogios de críticos como Mário de Andrade e Sérgio Milliet. Nos anos 40,
freqüenta o Osirarte ateliê de azulejaria criado por Paulo Rossi Osir. Expõe, entre
1940 e 48, no Salão Nacional de Belas Artes, no Rio. Embora a figura ainda seja
central em sua obra, seus contornos são cada vez mais simplificados. No inicio da
década de 50, Zanini participa da 1ª. E 2ª. Bienais de São Paulo. A tendência à
depuração acentua-se, aproximando sua obra do construtivismo. Desenvolve também
trabalhos como ceramista, no ateliê de Bruno Giorgi. Em 1959, é convidado novamente
para a Bienal. Nos anos 60, abandona pesquisas formais e retoma o figurativismo.
Morre em 1971, em São Paulo.
VOLPI
(1896-1988) – A família de Alfredo Volpi mudou-se de Lucca, na Itália, para o Brasil
quando ele tinha 1 ano , em 1897. No cenário suburbano do Cambuci, o humilde imigrante
pinta paredes. Aos 19 anos, começa a trabalhar com decoração de interiores e a retratar
paisagens dos arredores de São Paulo. A partir de 1937, o núcleo Santa Helena dá
origem à Família Artística Paulista. Os artistas, a maioria autodidatas, saídos
de profissões artesanais, são preteridos pela organização do 1ª. Salão de Maio.
Decidem então criar o Salão da Família Artística Paulista, que conta com a participação
de convidados como Anita Malfatti. Em sua segunda edição, dois anos depois, o salão
atrai nomes como Portinari e Ernesto de Fiori. Nessa altura, os santelenistas já
tinham aberto as portas do Salão de Maio, onde têm presença marcante em 1939. Na
década de 40, as paisagens começam a abrir espaço para composições com temas como
janelas, fachadas e bandeirolas. Em 1950, recebe o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro
no Salão Nacional de Belas Artes. Vai à Itália, onde recebe a influência dos mestres
pré-renascentistas. Sua pintura torna-se mais despojada, num percursos, sem rumo
à abstração geométrica pura. Em 1951, participa da 1ª. Bienal de São Paulo. No ano
seguinte, está presente na Bienal de Veneza. Na segunda edição da Bienal paulistana,
recebe sua maior consagração, o prêmio de Melhor Pintor Nacional. Em meados da década,
deixa-se influenciar pelo concretismo – participa da Exposição Nacional de Arte
Concreta, no Museu de Arte Moderna do Rio, em 1956 – sem renunciar a um estilo absolutamnete
pessoal e característico. “Volpi pinta volpis”, descreve Willys de Castro. Em 1957,
o MAM carioca organiza sua primiera retorspectiva. O mesmo ocorre na 6ª. Bienal
de São Paulo. Consagrado pela crística e pelo público, continua a morar no mesmo
Cambuci da juventude . Morre em São Paulo, em 1988.
ALDO BONADEI
(1906-1974) – Nascido em São Paulo em 17 de julho de 1906, Aldo Cláudio Felipe Bonadei
mostra-se um talento precoce. Conclui seu primeiro trabalho a óleo com 9 anos de
idade. Autodidata, inicia, em 1923, um período de cinco anos de estudos com o pintor
Pedro Alexandrino. Outra influência marcante é a do professor de arte Amadeo Scavone,
com quem trava contato em 1929. “Com ele, aprendi a pensar”, diria Bonadei mais
tarde. Viaja em 1928 para a Itália, onde freqüenta a Academia de Belas Artes de
Florença. Volta a São Paulo em 1931. Três anos depois, recebe o Prêmio Prefeitura
de São Paulo, no Salão Paulista de Belas Artes. Em 1935, passa a integrar o Grupo
Santa Helena. Em 1946, expõe numa coletiva de brasileiros no Chile. Em 1951, participa
da 1ª. Bienal de São Paulo, à qual estará presente em cinco das seis primeiras edições.
Em 1952, figura em diversos eventos no exterior: Bienais de Veneza e Cuba, Salão
de Maio, em Paris, Mostra de Artistas Brasileiros no Chile, e uma exposição no Japão.
Em 1962, vence o Prêmio de Viagem ao Exterior do 11º. Salão de Arte Moderna de São
Paulo. Passa três meses em Portugal, retomando interesse pelas paisagens. A fase
final de sua produção marca a volta do figurativo. Morre em São Paulo, em 1974.
REBOLO
(1902-1980) Nascido em São Paulo, em 1902, Francisco Rebolo Gonzalez é o patrono
do grupo Santa Helena, que impulsionou a carreira de outros autodidatas como Aldo
Bonadei, Mário Zanini, Clóvis Graciano, Fúlvio Pennacchi, Humberto Rosa e Alfredo
Volpi. Começa sua formação como aprendiz de decorador na Igreja de Santa Efigênia.
Em 1934, muda o escritório para o Edifício Santa Helena, na Praça da Sé. Em 1935,
Zanini passa a dividir o aluguel com o amigo e, dois anos depois, a formação do
grupo está concluída. Embora se distinga pela preocupação com o domínio da técnica
e pela prática da pintura ao ar livre, o Santa Helena não se caracteriza como um
movimento. Com suas paisagens, retratos dos subúrbios paulistanos, Rebolo expõe
no Salão Paulista de Belas Artes, em 1936. No ano seguinte, os santelenistas – marginalizados
por praticar uma arte que foge aos padrões convencionais sem, no entanto, filiar-se
ao cosmopolita núcleo do modernismo – criam o Salão da Família Artística Paulista.
Nas décadas de 40 e 50, Rebolo permanece fiel ao figurativismo, ainda que incorporando
elementos geométricos. “Não acredito no abstracionismo por lhe faltar conteúdo humano,
assim como não acredito na arte depurada de qualquer realidade”, explica. Convidado,
no início dos anos 50, para as duas primeiras edições da Bienal de São Paulo, recebe
o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro no Salão Nacional de Arte Moderna, em 1954. Em
1968, é destaque da mostra “A Família Artística Paulista – 30 Anos Depois”. Morre
de infarto em São Paulo, em 1980.
BRUNO GIORGI
(1905- 1993) Nascido em Mococa, interior paulista, em 1905, Bruno Giorgi começa
a estudar arte na Itália, em 1920. Na década de 30, é preso por sua oposição ao
emergente Mussolini. Extraditado para o Brasil em 1935, o escultor volta à Europa
no ano seguinte. Em 1937, matricula-se em academias de Paris e conhece um de seus
mestres, Aristides Mailol. Retorna ao Brasil, 1939, e logo depois trava contato
com o Grupo Santa Helena, de Volpi, Rebolo e Bonadei. Muda-se para o Rio em 1943,
cidade onde viveria o resto de sua vida. O Ministério da Educação e Cultura abre
espaço, em 1947, para a primeira de uma longa séria de obras de Giorgi instaladas
em áreas públicas, o “Monumento à Juventude Brasileira”. Participa da Bienal de
Veneza, em 1950. No ano seguinte é um dos destaques da 1ª. Bienal de São Paulo e
do Salão Paulista de Arte Moderna, no qual é agraciado com o Primeiro Prêmio Governo
do Estado. Volta a Veneza em 1952 e à Bienal de São Paulo em 1953, recebendo a distinção
de Melhor Escultor Nacional. Em 1960, Giorgi entrega sua obra mais conhecida, “candangos”,
exposta na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Outro monumento marcante do escultor
na cidade é “Meteoro”, de 1967, no prédio do Itamaraty. Nos anos 70, as obras de
Giorgi chegam ao espaço público das duas maiores cidades brasileiras. Em 1978, é
inaugurada “Condor”, na Praça da Sé, em São Paulo. No ano seguinte é a vez de “Construção”
no Parque da Catacumba, no Rio. Seu último monumento é “Integração”, de 1989, instalado
no Memorial da América Latina, em São Paulo. Morre no Rio, em 1993.