|
|
www.historiadaarte.com.br
GUIGNARD
Com uma inclinação por temas populares, cujo lirismo e a pureza o aproximam dos artistas ingênuos, Guignard é considerado um dos mestres da pintura moderna brasileira.
Alberto da Veiga Guignard nasceu em 25 de fevereiro de 1896, em Nova Friburgo RJ. Viajou para a Alemanha em 1916 e matriculou-se na Real Academia de Belas-Artes da Baviera, em Munique. A influência de expressionistas como Hermann Groeber e Adolf Hengeler, com os quais Guignard estudou na Alemanha, não deixou de se refletir em seus primeiros trabalhos, como a "Família do fuzileiro naval" (1931; Casa Mário de Andrade, São Paulo).
De volta ao Brasil em 1929, passou a residir no Rio de Janeiro, onde lecionou desenho e pintura na Fundação Osório e na antiga Universidade do Distrito Federal. Sob certos aspectos, seu estilo assemelha-se ao de pintores alemães do movimento da nova objetividade, que tinham como meta uma simplicidade próxima ao primitivismo. Sua obra é dominada, entretanto, por uma perfeita concepção técnica, presente em seus desenhos, sínteses de paisagens, feitos num grafismo sem hesitações. Na fase que se inicia em 1934, revelou-se um dos melhores retratistas da época, de estilo muito próprio em retratos de crianças ou de mulheres, com paisagens sutis e de cores transparentes.
Em 1944 mudou-se para Belo Horizonte e aí fundou a Escola Municipal de Belas-Artes, onde exerceu grande influência sobre as gerações mais novas. Ligou-se às cidades mineiras de tradição barroca colonial, como São João del Rei, Sabará e particularmente Ouro Preto, onde passou a residir em 1960. A ida para Minas Gerais e o contato com a arte colonial foram decisivos para a obra de Guignard. Seu estilo absorveu sem exageros as sinuosidades do barroco. As cores, em pinceladas leves, impressionistas pelo espírito e diluídas como aquarelas, sugerem a atmosfera límpida do planalto mineiro e a poesia que emana de suas velhas cidades.
Com freqüência usou como tema festas populares, principalmente as juninas. Elas apareceriam também em fundos de retratos, conforme se vê em "As gêmeas" (1945; Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro). Pintada para a capela de São Miguel, um projeto de Oscar Niemeyer no bairro carioca de Manguinhos, a "Via sacra" (1961) exemplifica os temas religiosos surgidos nos últimos anos de vida, marcados pelo misticismo e pela deformação expressionista. Guignard morreu em Belo Horizonte, a 25 de junho de 1962.
"... Fiz meus estudos na Alemanha sob uma disciplina muito a rigor. Três anos de pintura e seis de desenho. Custou muito mais foi. E hoje estou muito contentíssimo de ter estudado tanto. Naturalmente aprendi pelos modos acadêmicos, mas depois meu instinto pessoal me guiou para minha personalidade e liberdade completa. Dizem por aí que muitos artistas modernos não sabem desenhar. É um grande engano, eles na maioria o sabem muitíssimo bem, como Picasso, Raoul Dufy, Van Gogh e até dois super-realistas, Max Ernest e Salvador Dali. Também Leonardo da Vinci e o maior de todos, Botticelli.
Muitos artistas foram gênios natos, outros grandes talentos e alguns apenas talentos querendo aprender.
... Apesar de brasileiro nato, já estou internacional, tendo exposto em Paris, Nova York, Berlim, Veneza, Montevidéu e Buenos Aires. Só daqui a cem anos é que nós seremos mais bem considerados. Depois de Portinari sou eu. Não concordando com tudo que Portinari faz. Espero que o amigo me tenha compreendido e talvez tenhamos em breve possibilidades de nos encontrar e falar melhor sobre a matéria de 'aprender'."
(Trecho da carta enviada por Guignard a Mário Maués, em 1952, e publicada no catálogo da mostra "O Humanismo Lírico de
Guignard")
As Gêmeas | Vaso de Flores | Auto-Retrato | Paisagem Imaginária | Roberto Donati | Sabará
|
|
|
| Autoras: Simone R. Martins e Margaret H. Imbroisi | www.historiadaarte.com.br© |